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Nova Fátima,01/03/2024

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Janones é acusado de fazer rachadinha; deputado nega e Gleisi sai em sua defesa

A gravação foi feita pelo ex-assessor Cefas Luiz durante um reunião no dia 5 de fevereiro de 2019 na Câmara dos Deputados, em Brasília


Janones é acusado de fazer rachadinha; deputado nega e Gleisi sai em sua defesa Foto: Câmara dos Deputados

Áudio gravado por um ex-assessor do deputado federal André
Janones (Avante-MG) mostra o parlamentar exigindo que funcionários do seu
gabinete na Câmara arquem com suas despesas pessoais. A gravação foi foi
revelada pelo Metrópoles e obtida pelo Estadão. Em nota, Janones afirmou que
suas declarações foram retiradas de contexto e negou a prática de rachadinha.

Aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Janones
atuou na campanha do petista como estrategista de redes. Em livro, ele sugere
ter usado fake news e métodos eticamente duvidosos para desestabilizar o
ex-presidente Jair Bolsonaro, principal adversário do petista, a quem acusa de
fazer rachadinha.

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, defendeu o
colega. "A gente sabe como funciona o mecanismo da extrema direita, acusam
os outros do que eles mesmo fazem, distorcem fatos e geram fake news. Toda
solidariedade, companheiro", disse, sem comentar o teor do áudio. O
governo não comentou o caso.

"Tem algumas pessoas aqui, que eu ainda vou conversar em
particular depois, que vão receber um pouco de salário a mais e elas vão me
ajudar a pagar as contas que ficou (sic) da minha campanha de prefeito",
afirma Janones no áudio, ao relatar que tem uma dívida de R$ 675 mil. O
comentário foi feito logo após o deputado dizer que não vai aceitar corrupção
em seu mandato.

"'Ah, isso é devolver salário e você está chamando de
outro nome'. Não é! Porque eu devolver salário, você manda na minha conta e eu
faço o que eu quiser, né? Isso são simplesmente algumas pessoas que eu confio,
que participaram comigo em 2016 e que eu acho que elas entendem que realmente o
meu patrimônio foi todo dilapidado. Eu perdi uma casa de R$ 380 mil, um carro,
uma poupança de R$ 200 mil e uma previdência de R$ 70 [mil] e eu acho justo que
essas pessoas também hoje participem comigo da reconstrução disso",
acrescentou.

A gravação foi feita pelo ex-assessor Cefas Luiz durante um
reunião no dia 5 de fevereiro de 2019 na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Cefas disse ao Estadão que o esquema seria organizado pela atual prefeita de
Ituiutaba (MG), Leandra Guedes (Avante), que é ex-assessora e ex-namorada de
Janones.

No áudio, Janones disse também que é injusto ele ganhar R$
25 mil e usar R$ 15 mil para pagar a dívida de sua campanha à Prefeitura de
Ituiutaba em 2016.

"O Mário vai ganhar R$ 10 mil. Eu vou ganhar R$ 25 mil
líquido. Só que o Mário, os R$ 10 mil é dele líquido. E eu, dos R$ 25 mil, R$
15 mil eu vou usar para as dívidas que ficou de 2016. Não é justo,
entendeu?", afirma.

A relação de servidores contratados por Janones inclui um
Mário, contratado desde fevereiro de 2019, época da gravação. Hoje ele recebe
um salário bruto de R$ 16.640,22. Procurado, não foi localizado.

Em seguida, o parlamentar diz que não teme perder seu
mandato se for flagrado. "E se eu tiver que ser colocado contra a parede,
eu não tô fazendo nenhuma questão desse mandato. Para mim, renunciar hoje seria
uma coisa tão natural. Se amanhã vier uma decisão da Justiça: 'o André perdeu o
mandato', você sabe o que é eu não me entristecer um milímetro?" Janones
foi reeleito em 2022 com 238.967 votos.

Ao Estadão, Cefas explicou que só divulgou o áudio agora
porque precisava estar longe e em segurança. Ele diz que vai enviar os arquivos
ao Ministério Público Federal (MPF).

Janones, por sua vez, alegou que a gravação é clandestina e
criminosa e que o áudio foi retirado de contexto para lhe imputar um crime que
jamais cometeu. "É a segunda vez que trazem esse assunto para tentar me
ligar a crimes. Em 2022 já fizeram isso durante a campanha, também com áudios
fora de contexto. Essas denúncias vazias nunca se tornaram uma ação penal ou
qualquer processo, por não haver materialidade. Não são verdade, e sim
escândalos fabricados", disse.

"No mais, repito: eu nunca recebi um único real de
assessor, não comprei mansões, nem enriqueci e isso por uma simples razão, eu
nunca fiz rachadinha", acrescentou Janones.

Acusado de operar um esquema de rachadinha no gabinete de
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-policial militar Fabrício Queiroz comentou o
caso nas redes sociais. "Olha ele aí, ó. Janones ladrone. Olha a rachadona
do Janones. Acuse-os do que você faz, chame-os do que você é", disse
Queiroz, às gargalhadas.

Janones foi pré-candidato à presidência da República em
2022, mas, sem qualquer chance de vitória, deixou o pleito para declarar apoio
ao presidente Lula e se lançou como deputado federal. Em um livro
recém-lançado, ele admite o uso de notícias falsas durante a campanha para,
segundo ele, desestabilizar Jair Bolsonaro (PL). Janones usava a rede social
para provocar principalmente os filhos do então presidente, os desafiando toda
vez que postavam críticas a Lula, e os condenando pela prática de rachadinha.

Com a divulgação do áudio, parlamentares e políticos da
oposição acusam Janones de improbidade administrativa. "Cassação é pouco
para ele!", disse o deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). "Acabei de
conversar com o líder do PL, Deputado Altineu Cortes (RJ), para que seja
apresentada no Conselho de Ética uma representação contra André Janones pela
prática de rachadinha em seu gabinete, ou seja, corrupção", afirmou
Nikolas Ferreira (PL-MG).

































"Já era, Janones, as notícias-crimes estão no forno e
você não vai se safar dessa com mais das suas fake news e 'janonismo cultural'.
Suas explicações agora são com a PGR [Procuradoria-Geral da República] e com a
Justiça, se ainda houver alguma neste país", afirmou Deltan Dallagnol
(Novo-PR).




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