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Nova Fátima,21/02/2024

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Desemprego recua a 7,7%, menor para o terceiro trimestre desde 2014

Com o novo resultado, a população desempregada recuou a 8,3 milhões. O número era de 8,6 milhões nos três meses imediatamente anteriores

Fonte: Folhapress
Desemprego recua a 7,7%, menor para o terceiro trimestre desde 2014 Foto Reprodução

Com recorde de pessoas trabalhando, a taxa de desemprego do
Brasil recuou a 7,7% no terceiro trimestre de 2023. Trata-se do menor patamar
para esse intervalo desde 2014 (6,9%), ano em que a economia nacional entrou em
crise.

É o que indicam dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo
IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Considerando os
diferentes períodos da série histórica iniciada em 2012, a taxa de 7,7% é a
mais baixa desde o trimestre até fevereiro de 2015 (7,5%), segundo o instituto.

Com o novo resultado, a população desempregada recuou a 8,3
milhões. O número era de 8,6 milhões nos três meses imediatamente anteriores.

A taxa de 7,7% ficou em linha com as previsões do mercado
financeiro. Na mediana, analistas consultados pela agência Bloomberg também
projetavam 7,7%.

O indicador estava em 8% no segundo trimestre deste ano, o
mais recente da série comparável da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por
Amostra de Domicílios Contínua).

POPULAÇÃO OCUPADA BATE RECORDE

Por meio da Pnad, o IBGE investiga tanto o mercado de
trabalho formal quanto o informal. Ou seja, analisa desde os empregos com
carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.

No terceiro trimestre, o número de trabalhadores ocupados
com algum tipo de vaga alcançou 99,8 milhões, diz a pesquisa. É o recorde da
série histórica. O contingente cresceu 0,9%, o que representa um acréscimo de
929 mil trabalhadores frente aos três meses anteriores.

Na visão de economistas, os dados mostram um mercado de
trabalho aquecido, ainda sob impacto do desempenho positivo da atividade
econômica no primeiro semestre. A desaceleração da economia esperada até o
final do ano ainda não teria afetado a geração de empregos.

"Em geral, demora um pouco para a economia bater no
mercado de trabalho", afirma o economista Daniel Duque, pesquisador do FGV
Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

"A geração de empregos [no terceiro trimestre] vem de
uma economia resiliente no primeiro semestre", acrescenta.

IMPULSO É ASSOCIADO A VAGAS FORMAIS

O IBGE disse que o aumento da população ocupada foi puxado
pela criação de vagas formais no período até setembro. Nesse sentido, o grupo
dos empregados com carteira assinada no setor privado teve alta de 1,6% (ou
mais 587 mil). O contingente se aproximou de 37,4 milhões, o maior nível para o
terceiro trimestre desde 2014 (37,6 milhões).

"A queda na taxa de desocupação foi induzida pelo
crescimento expressivo no número de pessoas trabalhando e pela retração de
pessoas buscando trabalho no terceiro trimestre de 2023", afirmou Adriana
Beringuy, coordenadora de pesquisas por amostra de domicílios do IBGE.

Questionada por jornalistas se os dados refletem uma melhora
da atividade econômica neste ano, a pesquisadora disse que o mercado de
trabalho indica esse panorama. "Até porque o crescimento da ocupação está
sendo acompanhado pelo crescimento do rendimento, pelo crescimento dos
trabalhadores com carteira."

Beringuy, contudo, lembrou que o país ainda tem um número
expressivo de informais. A população atuando sem carteira ou CNPJ foi de 39
milhões no terceiro trimestre, o equivalente a 39,1% do total de ocupados. O
recorde da série ocorreu no terceiro trimestre de 2019, quando a taxa de
informalidade alcançou 40,9%.

Os dados divulgados nesta terça ainda não refletem os
possíveis impactos do Censo Demográfico 2022. O recenseamento é a base para a
atualização da amostra populacional da Pnad.

Segundo analistas, a amostra pode sofrer alterações porque o
Censo contabilizou uma população menor do que as estimativas usadas na pesquisa
do mercado de trabalho. O recenseamento também apontou um envelhecimento dos
brasileiros e uma presença mais elevada das mulheres.

O IBGE planeja fazer a reponderação da Pnad no próximo ano.
Conforme o instituto, taxas como a de desemprego não tendem a sofrer tantas
alterações, mas os números absolutos podem apresentar mudanças mais
perceptíveis a partir do Censo.

"De modo geral, os percentuais, as taxas, não tendem a
mudar muito por uma atualização da estrutura etária e de sexo", disse
Beringuy.

"Com relação aos contingentes, não tem como garantir
que haverá ou não grandes mudanças nos valores. À medida que a gente tem outra
pirâmide etária, é possível que haja, sim, alteração em alguns indicadores,
principalmente naqueles que dependem mais da estrutura etária, como população
fora da força e população na força de trabalho", completou.

RENDA MÉDIA AUMENTA, E MASSA SALARIAL RENOVA RECORDE

De acordo com a Pnad, a renda média habitual do trabalho
avançou a R$ 2.982 no terceiro trimestre.

Isso significa uma alta de 1,7% frente aos três meses
anteriores (R$ 2.933). Também representa um crescimento de 4,2% em relação ao
terceiro trimestre de 2022 (R$ 2.862).

Com mais brasileiros ocupados, a massa de rendimento do
trabalho renovou o maior patamar da série, alcançando R$ 293 bilhões, apontou o
IBGE. O aumento foi de 2,7% frente aos três meses anteriores. A massa
representa a soma dos salários.

"Essa dinâmica positiva do mercado de trabalho que
temos visto até agora pode ser explicada pelos dados de atividade econômica,
que vieram mais fortes que o esperado no primeiro semestre", disse Claudia
Moreno, economista do C6 Bank.

"Daqui para a frente, acreditamos que haverá uma
desaceleração da economia. Essa perda de fôlego, entretanto, não deve fazer a
taxa de desemprego subir", acrescentou.

Segundo Moreno, a tendência é de que a desocupação fique
praticamente estável, permanecendo em torno de 8% no restante de 2023 e em
2024.

"O desemprego baixo somado ao aumento da renda real
habitual deve comprometer a desaceleração da inflação de serviços, dificultando
a convergência da inflação à meta", afirmou.

TERCEIRIZADOS TÊM ALTA, DIZ IBGE

Entre os setores analisados na Pnad, o destaque veio da
ampliação do número de ocupados em informação, comunicação e atividades
financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. A alta foi de 3,5%
(ou mais 420 mil pessoas). O contingente chegou a 12,4 milhões.

Adriana Beringuy, do IBGE, ressaltou a importância das
atividades de informação e comunicação nesse setor, além das contratações em
serviços profissionais e administrativos no terceiro trimestre.

"A gente teve um crescimento muito grande nesse
trimestre do pessoal terceirizado, dos prestadores de serviços gerais,
prediais, também de serviços jurídicos, contabilísticos", disse.

Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, a Pnad
segue mostrando um mercado de trabalho "resiliente e aquecido". De
acordo com ele, o emprego pode continuar em alta devido às contratações
temporárias de final de ano.

O economista, porém, não vê espaço para quedas
significativas da desocupação até o final de 2023, já que o mercado deve
começar a refletir o menor crescimento da economia no segundo semestre.

A população considerada desempregada pelas estatísticas
oficiais é formada por pessoas de 14 anos ou mais que estão sem ocupação e que
seguem à procura de oportunidades. Quem não está buscando vagas, mesmo sem ter
emprego, não faz parte desse contingente.

A população fora da força de trabalho, que não estava
trabalhando nem procurando vagas, foi estimada em 66,8 milhões no terceiro
trimestre.











































































Assim, ficou relativamente estável frente ao trimestre
anterior e cresceu 3,2% (mais 2,1 milhões) na comparação com o mesmo período de
2022.




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