GLEISI E PAULO BERNARDO: PGR PEDE CONDENAÇÃO, PERDA DO MANDATO E PAGAMENTO DE R$ 4 MILHÕES

Por Agnaldo Rios 25/11/2017 - 09:18 hs

A Procuradoria Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação da senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidente nacional do PT, do marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo, e do empresário Ernesto Rodrigues.

Os três são réus no STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O Ministério Público afirma que eles se envolveram em um esquema que teria desviado R$ 1 milhão da Petrobras. Todos negam as acusações.

A PGR também pediu:

Perda de função pública para quem for condenado e estiver ocupando cargo público, como hoje é o caso de Gleisi Hoffmann;

Pagamento (pelos três) de R$ 4 milhões, a título de danos materiais e morais, por lesão à administração pública.

O parecer da PGR, assinado pela procuradora-geral, Raquel Dodge, foi enviado ao ministro Edson Fachin nesta quinta-feira (23), mas a informação foi divulgada pela PGR nesta sexta (24).

Entenda o caso

Gleisi, Paulo Bernardo e Ernesto Rodrigues se tornaram réus em setembro de 2016.

O Ministério Público afirma que os três se envolveram no desvio R$ 1 milhão da Petrobras. O dinheiro, afirma a PGR, teria sido direcionado para campanha eleitoral de Gleisi, em quatro parcelas de R$ 250 mil.

O repasse, ainda segundo a denúncia, teria sido realizado por meio de empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef contratadas pela Petrobra.

Também conforme a PGR, os recursos foram liberados pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, cujo objetivo seria obter apoio político de Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo para se manter no cargo.

Versões

Nesta sexta, o advogado da senadora, Rodrigo Mudrovitsch, divulgou nota na qual afirma que a acusação da PGR está baseada em depoimentos conflitantes e que ela confia na absolvição. A Comissão Executiva Nacional do PT também divulgou nota, segundo a qual as acusações à senadora são falsas e indicam perseguição ao partido (leia íntegra das duas notas ao final desta reportagem).

Em agosto, Gleisi Hoffmann prestou depoimento ao STF em agosto e negou as acusações da PGR, afirmando que não há provas. Gleisi também se disse "vítima de perseguição política".

Quando Paulo Bernardo virou réu, a advogada dele, Verônica Sterman, também rebateu as acusações, alegando que não foi provada a interferência do ex-ministro para manter Paulo Roberto Costa no cargo de diretor na Petrobras.

O G1 procurou o escritório da advogada nesta sexta e aguardava retorno até a última atualização desta reportagem.

Também à época, o advogado de Ernesto Rodrigues, José Carlos Garcia, negou participação do empresário nos crimes. "Não há descrição de participação do fato do autor. Não traz uma linha no sentido de dizer que interferiu no recebimento de propinas na Petrobras", afirmou Garcia.

O G1 buscava contato com Garcia até a última atualização desta reportagem.

Nota da defesa

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo advogado da senadora Gleisi Hoffmann.

A acusação formulada pela PGR foi baseada somente em depoimentos claramente conflitantes de três colaboradores premiados.

Ao longo do processo, foram apresentados documentos, prestados testemunhos e ouvidos outros colaboradores que refutaram veementemente a acusação, seja sob o prisma da inexistente solicitação de valores a Paulo Roberto Costa ou da mentirosa história de entrega de valores por Alberto Youssef e Antônio Pieruccini.

Certa de que os fatos foram integralmente esclarecidos ao longo da instrução, a Senadora Gleisi Hoffmann apresentará as suas alegações finais confiando em sua absolvição através de um julgamento técnico por parte do Supremo Tribunal Federal.

Rodrigo Mudrovitsch

Advogado Senadora Gleisi Hoffmann

Nota do PT

Leia abaixo nota da Comissão Executiva Nacional do PT, presidido por Gleisi Hoffmann:

ACUSAÇÕES CONTRA GLEISI SÃO FALSAS E MOSTRAM PERSEGUIÇÃO AO PT

1) São totalmente falsas as acusações feitas contra a senadora Gleisi Hoffmann na Ação Penal que ela responde junto com o ex-ministro Paulo Bernardo.

2) O Ministério Público montou a denúncia com base exclusivamente em delações contraditórias de réus interessados em obter benefícios penais, sem apresentar nenhuma prova, o que é contra a lei.

3) A defesa demonstrou e até o Ministério Público reconheceu, no processo, que os delatores não foram capazes sequer de dizer como, quando e onde teriam sido realizados os supostos e inexistentes pagamentos.

4) As alegações finais da Procuradoria-Geral da República repetem os mesmos vícios da denúncia original, infundada e arbitrária.

5) O processo sem lastro montado contra a senadora e o ex-ministro será desmontada nas alegações finais da defesa ao STF.

6) A violência cometida contra a presidenta Nacional do PT mostra, mais uma vez, a perseguição contra o partido e suas lideranças, movida por setores do sistema judicial e da mídia.

7) O PT seguirá lutando pelas grandes causas do Brasil, pelo restabelecimento pleno do estado de direito e para que a justiça seja feita.

COMISSÃO EXECUTIVA NACIONAL DO PT.

Informações do G1. (Veja aqui)